Projeto de universidade goiana usa tecnologia para detectar incêndios em tempo real no Cerrado

O Projeto Tatárandu, iniciativa voltada ao manejo integrado do fogo no Cerrado, reúne diferentes frentes de atuação para compreender melhor a dinâmica das queimadas, fortalecer estratégias de prevenção e contribuir para a conservação da biodiversidade. Entre as ações previstas está o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora de monitoramento inteligente de incêndios, coordenada pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (UniCietec) da Universidade Evangélica de Goiás (UniEvangélica).

A proposta prevê a instalação de estações de monitoramento em uma área piloto do Parque Estadual dos Pireneus, região que registra recorrentes ocorrências de incêndios ao longo do ano. O objetivo é testar a eficácia dos equipamentos e da metodologia desenvolvida pelos pesquisadores antes de uma possível ampliação do sistema.

Segundo o professor Rosemberg Fortes, coordenador da UniIncubadora, vinculada ao UniCietec, o sistema foi concebido para oferecer respostas rápidas e precisas diante de possíveis focos de incêndio. “Vamos implementar estações de monitoramento em uma área de teste para verificar a eficácia da metodologia e dos equipamentos propostos. A ideia é criar um sistema capaz de identificar rapidamente situações de risco e emitir alertas em tempo real”, explica.

O monitoramento será realizado por meio de sensores capazes de medir diferentes parâmetros ambientais, como concentração de partículas no ar, temperatura, velocidade do vento e níveis de dióxido de carbono (CO₂). Essas informações serão analisadas continuamente para identificar alterações compatíveis com o surgimento de incêndios.

Além dos sensores, o projeto contará com uma câmera inteligente programada para detectar automaticamente sinais de fumaça ou chamas. Quando um possível foco for identificado, o sistema emitirá um alerta imediato.

Para aumentar a confiabilidade das informações, a tecnologia foi desenvolvida com múltiplas camadas de validação. Caso uma das torres de monitoramento registre uma ocorrência, a câmera omnidirecional direcionará automaticamente sua visão para o local indicado, capturando imagens que permitam uma segunda verificação do evento.

A terceira etapa de confirmação envolverá o uso de drones, que poderão realizar inspeções visuais da área afetada e auxiliar na avaliação da gravidade da ocorrência.

De acordo com o projeto, o sistema terá capacidade de monitorar áreas de até 35 mil metros quadrados, inclusive em locais sem cobertura de telefonia celular ou acesso à internet, um dos grandes desafios para o monitoramento ambiental em unidades de conservação.

Sensoriamento local amplia velocidade de resposta

Um dos diferenciais da tecnologia é a utilização do chamado sensoriamento local. Diferentemente dos sistemas baseados exclusivamente em imagens de satélite, que dependem do intervalo entre passagens e do processamento de dados, os sensores instalados em campo permitem detectar alterações ambientais em poucos minutos.

Segundo Rosemberg Fortes, essa característica aumenta significativamente a precisão e reduz o tempo necessário para identificar um foco de incêndio. “O sensoriamento local tem maior precisão, maior acurácia e um horizonte temporal muito menor. Enquanto uma imagem de satélite pode apresentar informações com atraso de vários minutos ou até horas, nossos sensores conseguem fornecer dados praticamente em tempo real”, destaca.

A frente tecnológica integra um conjunto mais amplo de ações desenvolvidas pelo Projeto Tatárandu, que também inclui pesquisas sobre os efeitos do fogo na biodiversidade, formação de brigadas voluntárias, ações de educação ambiental e implementação do Manejo Integrado do Fogo, explica sua coordenadora, a pesquisadora Vivian Braz. ( Por Rafael Tomazeti – Diário de Goiás )

 

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