Cooperativismo em Goiás mira R$ 50 bilhões e 1 milhão de cooperados até 2027
O cooperativismo goiano completa 70 anos nesta sexta-feira (2) com uma meta de expansão para os próximos anos: alcançar R$ 50 bilhões em faturamento anual e 1 milhão de cooperados até 2027. O objetivo é do Sistema OCB/GO e representa um avanço de aproximadamente R$ 13,1 bilhões em faturamento e quase 290 mil novos cooperados em relação aos indicadores de 2025.
Atualmente, o setor reúne 289 cooperativas com registros ativos, 710.307 cooperados e R$ 36,90 bilhões em faturamento. As organizações também administram R$ 78,4 bilhões em ativos e são responsáveis por 18.859 empregos diretos em Goiás.
A trajetória começou em 2 de outubro de 1956, quando 14 pioneiros se reuniram em uma sala de apenas 12 metros quadrados, no Edifício Rita de Albuquerque, na Rua 8, no Centro de Goiânia. O encontro deu origem à então União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG), entidade que posteriormente se tornou a atual Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO).
De 50 cooperativas a quase 300
Na década de 1950, Goiás tinha aproximadamente 50 cooperativas. O Estado vivia um período de expansão populacional e econômica impulsionado pela Marcha para o Oeste e, posteriormente, pela construção de Brasília.
A necessidade de organizar a produção, facilitar o acesso ao crédito, melhorar a comercialização e viabilizar a aquisição de bens contribuiu para o fortalecimento do cooperativismo.
Naquele momento, as organizações ainda eram pequenas e enfrentavam dificuldades financeiras e estruturais. A criação da UCEG buscava justamente dar maior unidade e representação ao movimento.
Não há registro consolidado sobre o número de cooperados em 1956. Uma estimativa baseada em uma média de 100 associados por cooperativa aponta para cerca de 5 mil cooperados naquele período.
Sete décadas depois, a escala é significativamente maior.
Número de cooperados cresce
Somente entre 2024 e 2025, a quantidade de cooperados em Goiás aumentou 6,59%, passando de 666.400 para 710.307.
No mesmo período, o faturamento das cooperativas avançou 18,02%, com acréscimo de R$ 5,63 bilhões. Os ativos também cresceram 11,03%, o equivalente a R$ 7,79 bilhões.
A evolução fica ainda mais evidente quando analisada em um período maior. Em 2011, Goiás tinha aproximadamente 157,2 mil cooperados. Em 2021, o número chegou a cerca de 382,7 mil. Em 2022, eram 464.242.
O salto continuou nos anos seguintes, chegando a 666.400 cooperados em 2024 e 710.307 em 2025.
Segundo o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, o crescimento demonstra a consolidação do cooperativismo como modelo econômico no Estado.
“Os números goianos são eloquentes: quase 300 cooperativas associadas, mais de 700 mil cooperados, impacto direto e indireto sobre cerca de 2,5 milhões de pessoas e faturamento anual superior a R$ 37 bilhões, algo em torno de 10% do PIB estadual”, afirmou.
Para o dirigente, a expansão também representa uma mudança na capacidade de organização do setor, que passou a combinar maior escala produtiva, profissionalização e participação dos cooperados.
Setor se diversificou ao longo das décadas
A estrutura institucional do cooperativismo também mudou desde a criação da UCEG. Nos primeiros anos, a entidade funcionava de maneira limitada e chegou a depender de recursos públicos para manter suas atividades.
Com o crescimento do movimento, houve profissionalização da representação, ampliação da estrutura física, capacitação de dirigentes e trabalhadores e criação do SESCOOP/GO, braço educacional do sistema.
O cooperativismo goiano também passou a atuar em diferentes segmentos, incluindo agropecuária, crédito, saúde, transporte, trabalho, consumo e serviços.
Para Luís Alberto, o desafio agora é ampliar a competitividade sem abandonar os princípios que sustentam o modelo.
“Setenta anos depois, o nosso desafio agora é ampliar nossa competitividade em mercados cada vez mais globalizados sem abrir mão dos princípios cooperativistas”, afirmou.
O dirigente também aponta a necessidade de fortalecer governança, transparência e participação democrática durante o processo de expansão.
“Crescer preservando governança democrática, transparência e distribuição equilibrada de resultados é uma meta que exigirá inovação, digitalização, capacitação de lideranças e diálogo contínuo com a sociedade”, completou. ( Diário de Goiás )

