Caiado mira evangélicos e avalia vice mulher para ampliar espaço na direita
Desde o anúncio oficial de que seria o pré-candidato do PSD à Presidência da República, na última segunda-feira (30/3), o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deu início a uma ofensiva política pelo voto evangélico. Além disso, internamente, o PSD já discute as possibilidades de uma vice para Caiado.
A movimentação, que combina aproximação com lideranças religiosas e sinalizações sobre a escolha de uma mulher como vice, revela um movimento calculado para ocupar espaço no campo da direita e disputar a base hoje fortemente associada ao bolsonarismo.
Caiado escalou o deputado federal Otoni de Paula (RJ), que trocou o MDB pelo PSD na janela partidária, para conduzir o movimento de aproximação com as igrejas evangélicas. Otoni apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas recentemente tornou-se crítico do ex-chefe do Executivo e até se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma entrevista no início do ano para o Correio Braziliense, Otoni afirmou que já havia “hipotecado” seu apoio a Caiado e que teria dificuldades em apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na ocasião, chegou a dizer que “a direita é maior do que o bolsonarismo”. O parlamentar é pastor da Assembleia de Deus, no Ministério Missão de Vida.
Caiado também já recebeu o apoio do bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus, do Ministério de Madureira, a corrente mais expressiva da igreja. A Convenção Nacional possui mais de 42 mil templos e mais de 100 mil pastores.
O cientista político Pedro Pietrafesa avaliou, em conversa com a reportagem do O HOJE, que a estratégia de Caiado segue uma lógica eleitoral clara. Segundo o cientista, o ex-governador tenta colocar seu nome como uma alternativa a Flávio dentro do campo direitista.
“Ele claramente está tentando buscar e ampliar o apoio, nesse primeiro momento, dentro desse eleitorado que está mais à direita e que é mais radicalizado”, destacou. “Então, que seja especificamente nessa busca do voto onde o bolsonarismo tem uma maior quantidade de intenções de voto”, afirmou. Segundo Pietrafesa, o movimento é inicial e visa viabilizar a candidatura eleitoralmente. “Para depois tentar entrar num eleitorado mais de centro, ou quem sabe até mesmo no do Lula”, completou.
Aliado aos acenos ao voto evangélico, outra corrente que ganhou força no PSD é a de Caiado ter uma mulher na vice. Atualmente, a tese dentro da legenda é que o ex-governador goiano precisa buscar uma vice de outra legenda, a fim de dar início a um arco de alianças partidárias que dê robustez ao projeto do PSD que visa o Palácio do Planalto.
Na última quarta-feira (1º), o governador Daniel Vilela (MDB) afirmou em conversa com a reportagem do O HOJE que já conversou com o presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, sobre a possibilidade de o partido compor a chapa de Caiado na disputa presidencial.
O partido foi sondado pelo PT para indicar a vice na chapa do presidente Lula. Porém, uma ação coordenada de 17 diretórios estaduais emedebistas, capitaneada por Daniel Vilela, barrou a possibilidade. Até o momento, o partido não definiu quem irá apoiar na disputa presidencial e tende a ficar neutro na corrida pelo Planalto.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tenta atrair a federação União Progressista, formada por União Brasil (UB) e PP, para o projeto de Caiado. O mandatário pessedista já tratou do assunto com o presidente do UB, Antônio Rueda, e do PP, o senador Ciro Nogueira (PI).
Apoio de ACM a Caiado
Para o Metrópoles, o vice-presidente nacional do UB e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, garantiu que irá apoiar Caiado neste ano, mas não deu garantias se esse será o posicionamento da federação.
Caso uma coligação entre a federação UB-PP e PSD avance, o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), surge como uma possibilidade para compor a vice de Caiado. A parlamentar reforçaria o apelo da candidatura no eleitorado à direita, além de representar uma candidatura feminina, o que é uma prioridade dentro do PSD. ( O Hoje )

