Produtora goiana lança série documental sobre a jornada dos carreiros de Orizona até Trindade
A Associação dos Carreiros de Orizona (Acaori) realiza, nesta semana, a 24ª Festa dos Carreiros de Orizona, que segue até o próximo sábado com a chegada da comitiva ao povoado de Taquaral, tradicional anfitrião da celebração. O encontro dos carreiros começa com a preparação dos carros de boi e reúne famílias, moradores e visitantes em torno de uma das mais importantes manifestações culturais do município. A programação inclui pousos, apresentações artísticas, encontro das comitivas e um grande jantar comunitário.
A data coincide com o lançamento da série documental “Quando a Fé Caminha”, que acompanhou a comitiva dos carreiros de Orizona em 2025 durante mais de 200 quilômetros até a chegada a Trindade, na Festa do Divino Pai Eterno. Durante 16 dias, a equipe da Skambau Produções e do Instituto Skambau acompanhou uma das mais tradicionais peregrinações do estado de Goiás. A série registra a jornada dos carreiros de Orizona até Trindade, revelando histórias de devoção, resistência, memória e pertencimento.
Idealizada e dirigida por Manoela Barbosa, historiadora, doutora em Ciências Ambientais, pesquisadora e gestora de projetos com raízes familiares em Orizona, a produção é composta por 11 episódios. Os registros audiovisuais foram realizados por Roger Martins, produtor cultural, cineasta preto e aquilombado e mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio (Promep-UEG).
Pela primeira vez, uma equipe audiovisual acompanhou integralmente a jornada dos carreiros de Orizona até Trindade, registrando os desafios, encontros, celebrações e momentos de fé vividos ao longo de toda a peregrinação.
Responsável pelo registro das imagens da série, Roger Martins afirma que, se existe uma palavra capaz de definir o que significa ser carreiro em Orizona, essa palavra é fé. “Simplesmente não consigo explicar com palavras o tamanho da devoção que esses carreiros têm, da força, do acolhimento, da união e do amor. Estão há décadas na jornada, em uma prática passada por gerações, marcada por laços familiares e muita, muita fé”, destaca.
Para Manoela Barbosa, a série representa um compromisso com a memória, a identidade e o patrimônio cultural goiano. “Esta série nasce do afeto, do pertencimento e da responsabilidade de registrar uma tradição que atravessa gerações e faz parte da minha própria história familiar. Meu avô paterno, Joaquim Barbosa, teve relação com essa cultura, e foi a partir das minhas raízes em Orizona e do trabalho desenvolvido junto aos carreiros nos últimos sete anos que construímos uma relação de confiança capaz de tornar este registro possível. Documentamos uma caminhada, mas também buscamos revelar as pessoas, as memórias, os saberes e a fé que mantêm esse patrimônio vivo. Trata-se de uma herança coletiva que merece ser conhecida, reconhecida e preservada.” ( Fonte: A Redação – Foto: Roger Martins )

